História das armas da Husqvarna

Fundada em 1689, a Husqvarna é uma das mais antigas empresas industriais no mundo. A Husqvarna iniciou a sua atividade como uma fundição especializada na fabricação de mosquetes. Apesar da produção ser basicamente artesanal, a Husqvarna Gevärsfaktori (Fábrica de Espingardas Husqvarna) está ligada, de certa maneira, a gênese da indústria de precisão sueca. Sob a direção de Joachim Ehrenpreuss a produção de armamento expandiu rapidamente.

Martelo hidráulico segundo um desenho da década de 1750. Em vez de moldar as peças de um fecho com uma marreta e ferramentas manuais numa bigorna, era possível usar o martelo para trabalhar o ferro aquecido e encaixá-lo numa matriz. Este método possibilitava o fabrico de peças idênticas em grandes séries e poupava trabalho.

O período auge da Suécia nos fins do século XVII

Durante o primeiro período do país como grande potência, dos fins do século XVII até à década de 1720, a produção anual de mosquetes era, em média, de 11 000 unidades. No total, a Husqvarna forneceu 230 000 armas de fogo para o exército sueco durante esses anos!

Depois de 1720, a paz foi progressivamente restabelecida e as encomendas do estado sueco baixaram para 1500 por ano.

Durante os 100 anos de paz e estabilidade que se seguiram, a produção de armas da Husqvarna foi relativamente pequena.

Espingarda de pederneira de 1735.

Revolver militar, modelo de 1887.

Wilhelm Tham já idoso.

Século XIX

A produção de armas aumenta drasticamente com a instabilidade política que reina na Europa em meados da década de 1860. A Suécia promove um rearmamento neste período. A época fica também marcada por uma substancial evolução tecnológica, quando as armas passam a ser carregadas pela culatra em vez de pela boca. Isto só é possível com um trabalho de alta precisão, uma vez que o fecho do cano e do mecanismo de disparo só aceita tolerâncias muito pequenas e uma resistência muito elevada. O carregamento pela culatra torna viável o uso de canos estriados, o que incrementa os requisitos de precisão nos trabalhos de perfuração e retificação. As primeiras pistolas carregadas pela culatra eram revólveres, ou seja, pistolas com carregador na forma de um tambor rotativo.
Com as grandes encomendas do Estado, a Husqvarna aumenta a sua capacidade produtiva investindo em oficinas e máquinas.

A Husqvarna constitui-se como sociedade anônima em 1867 e é reestruturada em 1877, ano em que Wilhelm Tham é nomeado diretor executivo. Sob a sua direção, a empresa diversifica a sua produção para reduzir a dependência nas encomendas militares, passando a fabricar armas de caça e espingardas de tiro ao alvo. Uma decisão que se revela acertada, pois a Husqvarna consegue estabelecer-se rapidamente no mercado “civil”.

Pistola de percussão para a marinha. Fabricada em 1855.

Uma espingarda com mecanismo Remington deste tipo já estava anunciada no catálogo de 1877. O preço era de 49 coroas suecas.

A exclusiva pistola Ehrenpreuss que a Husqvarna fabricou numa série limitada de 75 exemplares em 1975.

Os Hagström, uma família de fabricantes de armas

August Fredrik Hagström foi um dos mais famosos fabricantes de armas da Husqvarna. Uma das suas invenções foi o cão de recuo automático. Uma construção de segurança importante pois impedia o disparo acidental da arma caso o cão sofresse uma pancada ou o tensor soltasse.

O filho de A. F. Hagströms, Karl Wilhelm, seguiu os passos do pai e foi designado chefe de produção de armas em 1877. Karl Wilhelm estudou no Instituto Real de Tecnologia e trabalhou com C-E Johansson em Eskilstuna. Wilhelm sujeitava os empregados potenciais a um teste singular: Os candidatos tinham que limar duas peças de metal tão uniformemente de maneira que as superfícies aderissem uma à outra, como um calibre paralelo.

Karl Wilhelm Hagström foi chefe do departamento de armas civis de 1877 até à sua morte em 1917, data em Hugo Hagström, seu filho e sucessor, entrou em funções. Da mesma forma que a fabricação de alta precisão é uma actividade permanente na história da Husqvarna, a perícia profissional foi transmitida de pai para filho durante gerações, um facto que contribui para o renome internacional da empresa.

Em 1970, a Husqvarna transferiu a produção de armas para a empresa estatal FFV. Contudo, a Husqvarna continuou produzindo alguns modelos de espingardas em séries muito reduzidas até 1989, data que coincide com a celebração do 300º aniversário da empresa e em que foram construídas as últimas 15 “Armas Jubileu”. O museu da Husqvarna possui uma coleção importante de armas, da mais antiga espingarda de pederneira de 1735 até à “Arma Jubileu” de 1989.